quarta-feira, 5 de março de 2014

Fanfic "Recomeçar"- Capítulo 8


Autora: Loa Estivallet (Blog / Nyah/ Twitter)
Sinopse: Um amor para toda a vida, abalado por uma traição...Um filho ansiado, chegando no pior de todos os momentos.Duas pessoas separadas por uma mágoa profunda e dilaceradora, afastados pelos novos rumos e pessoas em suas vidas...Mas o amor verdadeiro tudo supera. E está sempre à espreita, esperando o momento para recomeçar...
Classificação: +16 
Categorias: Saga Crepúsculo
Personagens: Alice Cullen, Angela Weber, Bella Swan, Carlisle Cullen, Charlie Swan, Edward Cullen, Emmett Cullen, Esme Cullen, Jasper Hale, Kate Denali, Rosalie Hale
Gêneros: Drama, Romance, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Capítulos Postados: 1 2 3 4 6 7


Capítulo 8

"A voz do coração"


O peito parecia querer explodir em ansiedade e nervosismo.

Edward não mais expirava, já estava aos arquejos.
Seus olhos não paravam de vasculhar o saguão do aeroporto, apesar dele ter certeza de que Bella nem mesmo sabia de sua partida.

– Você está bem querido? – Esme perguntou notando o estado aflito do filho.

– Sim, mãe – Mentiu – Só um pouco angustiado com toda essa mudança.

Ele continuou esquadrinhando cada canto apinhado de gente do local, ainda que internamente se repreendesse. Respirou fundo algumas vezes, tentando encontrar seu controle, mas foi em vão.

Edward sabia muito bem que nada, nunca, seria capaz de aplacar sua dor.

Toda distância que ele estava agora impondo entre ele e o grande amor de sua vida era apenas uma representação utópica de sua decisão. Ele queria, precisava continuar vivendo, e para isso era necessário deixar ela para trás. Mas sabia em seu âmago que nem mesmo a morte seria apta a anular seus sentimentos por Isabella.

– Ah, finalmente... – Carlisle suspirou ao lado dele, fazendo-o levantar o olhar na mesma direção que o pai observava – Alice e Jasper chegaram.

Edward sorriu ao notar o pequeno rapazinho de mãos dadas com a tia, que sorria embevecido por ver o pai.

Anthony largou a mão de Alice e correu afoito até ele gritando “papai”.

Ao sentir o filho em seus braços, a dor deu lugar à ternura, e Edward não pode conter as lágrimas de saudade.

– Papai te ama, Tony... – Sussurrou agarrado ao filho – Eu volto pra te ver. E tia Alice me prometeu te levar no fim do ano...

Alice sorriu, emocionada. Toda a família a acompanhou no sentimento e no gesto.

Edward sentiu os bracinhos de Tony lhe apertarem e, apesar do menino pouco compreender o que estava acontecendo, sua atitude seguinte quase moveu o pai de sua decisão. Ele segurou o rosto do pai entre as mãozinhas e olhou fundo nos olhos verdes que herdara.

– Num vai imbola, papai...

Edward ouviu um soluço, mas não prestou atenção em quem começara a chorar. Apenas beijou a testa do filho, cego pelas lágrimas, e suspirou fortemente.

Naquele momento pode perceber o que era realmente o sentimento de paternidade, em sua completude... Ele não queria deixar o filho, o único elo que ainda o ligava à Bella, o único motivo pelo qual ainda estava vivo, a única e última razão para lutar por um recomeço, por uma melhora. Ele amava Anthony mais que a si mesmo, mais que sua própria vida. Por ele era capaz de qualquer coisa, e por ele estava ali em pé. Se não fosse o amor que sentia pela pessoinha em seus braços ele provavelmente já teria desistido e estaria morto.

Essa era justamente a razão pela qual ele devia partir e não permanecer. Permanecendo ele nunca teria a paz que precisava para ser inteiro novamente. Seria eternamente essa ”sobra” do Edward que um dia ele fora. E Anthony não merecia restos. Seu filho merecia um pai lúcido, se não feliz, ao menos, alegre, são.

A dúvida e os temores cederam espaço para a certeza, para a convicção de que sua atitude era a mais correta a ser tomada naquele momento.

Com o peito aquecido de afeição pela criança em seus braços, aliviado pela onda de autoconfiança que o invadiu e tomou, Edward levantou os olhos para a irmã.

– Você contou a Bella?

A expectativa era a emoção mais clara em seu semblante.

Alice respirou fundo, certa de que mentir era o melhor caminho para fazer o irmão seguir em paz.

– Não. Não sabia se devia, então preferi evitar uma decepção pra você...

Edward entendeu o que Alice quis dizer.

Se Bella soubesse de sua partida, Alice o contaria, e ele esperaria pela aparição repentina dela até o último momento, como fazia agora, e fez nos trintas minutos anteriores à chegada de sua irmã, se decepcionando e duplicando sua dor assim que notasse que ela não viria.

Uma voz mecânica anunciou a última chamada para o vôo com destino a Camberra.

– Você precisa ir... – Jasper encarou o cunhado com pesar.

Edward deu uma última olhada no rostinho do filho, beijando-o carinhosamente antes de entregá-lo a avó.

– Papai te ama...– Repetiu – E vai voltar pra te ver logo.

O menino sorriu, inocente, se aninhando no colo de Esme.

E após abraços emocionados e lágrimas, Edward finalmente embarcou para sua nova vida.

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A buzina alta não fazia com que os outros carros andassem mais rapidamente, mas Bella continuava descarregando uma força exagerada, gerada pela adrenalina excessiva em seu sistema, no centro do volante.

As perguntas esmagavam sua sensatez.

Porque não seguira com Alice para o aeroporto quando ela foi buscar Anthony?

Porque que demorou mais de meia hora para se decidir a ir até lá?

Ela não fazia ideia de como e o quê diria a Edward quando o tivesse em sua frente, mas sabia que precisava chegar a tempo de encontrá-lo. Seu coração, sua razão, seu corpo, seu senso, seus instintos, tudo nela gritava para que não permitisse que ele fosse embora.

Bella cortou um, dois, três carros, dirigindo como uma alucinada pelas ruas de Boston, ignorando sua própria segurança.

Como ela pôde ser tão estúpida? Tanto tempo perdido...

Precisou que ela soubesse de uma atitude tão extrema e desesperada de Edward para notar o que sempre esteve defronte os seus olhos. Agora, no calor do momento, ela podia recordar cada pequena prova que ele lhe dera de sua devoção, de seu amor, de sua lealdade.

Sim, ele a magoara como ninguém nunca poderia. Mas só porque ele era o centro de seu mundo, sua fraqueza, e também sua força.

Ela fechara os olhos deliberadamente para aquela verdade, covarde demais, fraca demais, temerosa demais para arriscar ser ferida novamente...

Edward já tinha se redimido de seus erros. Sua mente gritou. Há bastante tempo...

Cada acontecimento entre eles nos últimos anos, cada gesto dele para com ela... Agora, com a venda do rancor retirada de seus olhos ela via claramente... Eram amostras de seu caráter integro, de seu amor verdadeiro. Pequenas certezas que ele lhe ofertou na esperança de que tudo pudesse ser reconstruído.

E poderia ter sido, se o orgulho ferrenho dela não a tivesse cegado.

Bella admitia sem reservas sua falha. Nunca dera a seu ex-marido o benefício da dúvida, que ele merecia sim, pelos anos de compreensão e amor incondicional, pela espera após o rompimento, pelo respeito que demonstrou ter por ela acatando todas as suas condições após o divórcio, ou mesmo antes, ainda que fosse o oposto do que ele queria.

Como ela pôde confiar tão pouco no poder de regeneração do amor que existia entre eles? Fora inerme, se deixando abater, enquanto Edward persistiu, até o fim de suas forças, acreditando, confiando na força do sentimento que os ligava. Ele sim a amava de verdade. O sentimento dele sim era puro e profundo... E ele provou isso quando não perdeu a esperança, quando insistiu, mostrando que seu amor era denso a ponto de crer numa possibilidade remota, e se agarrar a isso.

Bella se sentiu envergonhada, a angústia corroendo seu peito. Precisava alcançá-lo a tempo.

O pé direito pressionou mais o pedal do acelerador, enquanto seu debate interno a mantinha em estado letárgico.

Julgara a atitude de Edward pela de sua mãe, sem nem tentar enxergar as diferenças. Criticou-o, o espezinhou quando ele argumentou usando seus sentimentos, sendo que ela, que achava seu amor por ele tão intenso e verdadeiro, duvidara de sua força na primeira oportunidade. E ela o empurrara até o seu limite, ocasionando a sua privação de sanidade e sensatez.

Sim. A culpa também a esmagava. Se Edward quase esteve morto era sua, e exclusivamente sua responsabilidade.

Por um fugaz momento ela abaixou a cabeça, constrangida por ter sido tão arrogante, iludida, insensível.

Um segundo.

Um mísero segundo.

E então o choque violento a despertou de seu drama.

Bella não teve tempo para compreender o que acontecia. Apagou quando o carro atingiu o chão pela segunda vez durante a capotagem.

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– Calma, Alice... Você precisa se manter lúcida... – Jasper falou ao passar com sua esposa pelas portas duplas da emergência do Boston Medical Center.

A pequena apenas anuiu com a cabeça, aturdida demais para falar.

Apenas duas horas depois da decolagem do vôo de Edward para a Austrália, Alice recebera uma ligação do celular da própria Bella, informando-a que a amiga havia sofrido um acidente na State Highway, há apenas oito minutos do aeroporto.

Ela compreendeu o motivo do acidente no exato segundo em que ouviu o paramédico informar a rota que Bella seguia. Ela estava tentando alcançar Edward. Provavelmente para impedi-lo de embarcar.

Seu coração se comprimiu.

– É tudo culpa minha... – Balbuciou – Eu fui muito dura com ela...

– Shhhh... – Jasper a silenciou com um abraço, parando no meio do corredor – Vai ficar tudo bem, amor.

Um soluço escapou da garganta de Alice no exato momento em que Emmet os viu.

O primo-irmão de Bella se levantou do banco desconfortável em que estava sentado com Rosalie, que chorava desesperadamente, para se aproximar do casal.

– Jasper, Alice... – Falou num tom contido, pousando uma mão no ombro do amigo.

Alice levantou o rosto com o olhar ansioso.

– Emmet! Como ela está? Você a viu? Por favor, me diga que ela está bem... – E uma nova torrente de lágrimas abriu caminho pelos olhos castanhos da baixinha.

Emmet direcionou um olhar cauteloso a Jasper e se voltou para Alice.

– Vamos sentar Allie... Você precisa se manter calma. A situação de Bella é delicada e precisaremos uns dos outros nesse momento...

– Oh meu Deus! – Alice murmurou, tapando a boca com a mão pequena e trêmula, certa de que o quadro era ainda pior do que ela imaginara.

Jasper a apoiou pelas costas, receando que sua esposa sofresse um desmaio, abalada como estava.

– Emm, como isso aconteceu? – Ele questionou o amigo ao sentarem.

Emmet abraçou uma Rose destruída, e Jasper soube que a situação era desesperadora.

– Eu não sei... Os policiais não sabem como ela perdeu o controle do carro, mas, o fato é que ela capotou quatro vezes depois de se chocar com o guardereio da rodovia. Ela usava o cinto de segurança, mas os impactos a fizeram sofrer uma serie de fraturas no corpo... Braços, pernas, quadril... – Ele suspirou, tentando resgatar suas forças.

Jasper observou Alice se mexer desconfortável ao seu lado.

– Não parece tão ruim... – Ele disse ao outro, incerto.

Emmet levantou o olhar e encarou Jasper com uma expressão arrasada.

– Ela sofreu traumatismo craniano, Jazz... Bella está em coma.

Rosalie soluçou alto, afundando ainda mais o rosto no peito do marido, enquanto Jasper e Alice se abraçavam, sentindo o peito esmagado em agonia.

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Edward suspirou alto, tentando controlar a estranha sensação de que alguma coisa estava muito errada.

Ele apreendia as razões para sua angústia com extrema clareza. Afinal era óbvio que com toda aquela mudança, as últimas emoções que vivera, a saudade esmagadora que já sentia do filho, da família, de Bella, e as quase dezoito horas dentro de um avião, ele se sentisse péssimo.

Sentiu o tranco que a aeronave deu ao tocar o solo, e quase se sentiu aliviado. Mas a necessidade de ter noticia de casa aumentava em ondas, beirando o desespero.

Foram outros vinte e seis minutos agonizantes até finalmente deixar o saguão de desembarque para trás.

Edward parou no meio da multidão de passageiros e acompanhantes, pessoas esperando, funcionários indo e vindo. Mas o mundo pareceu deserto no segundo em que a mensagem de Alice saltou em sua tela quando o celular foi ligado.

Aquelas seis palavras, que ele leu dez vezes, vorazmente, num espaço de um minuto, deram a ele a certeza de que suas emoções não estavam confusas por todos os aspectos de sua última decisão.

Me ligue urgente. É sobre Bella.

Demorou apenas mais um minuto até Alice atender ao telefone. Sua voz forçadamente tranqüila não enganou Edward.

– O que aconteceu, Allie? – Ele perguntou antes mesmo dela terminar a saudação.

– Edward, você precisa ficar calmo e me prometer que não vai se desesperar, ok?!

– Se você não me disser de uma vez o que aconteceu eu vou desligar e pegar o primeiro avião pra voltar... – Seu tom já era descontrolado.

Alice sabia que seria assim, e sabia também que não poderia demovê-lo do que ela tinha certeza que ele faria assim que ela explicasse a situação.

– Ontem a noite, quando cheguei em casa, recebi uma ligação do celular de Bella dizendo que... Que... Que ela... – Tentou adiar um pouco a verdade.

– Alice! – Edward berrou no celular – Direto ao ponto!

Ela respirou fundo, e despejou tudo de uma vez.

– Bella sofreu um acidente... – Pausou rapidamente quando notou o irmão prender a respiração – E está em coma.

Edward não ouviu mais nada.

Ele não teve dúvidas quanto ao que tinha de fazer. A voz em seu coração gritava uma ordem a qual ele não poderia ignorar.

Desligou o celular e correu cego para o balcão da companhia aérea.


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